Brasil registra 1 estupro a cada 6 minutos de crianças e adolescentes

ONG Ficar de Bem analisa dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e destaca serviços de proteção durante o ‘Maio Laranja’

O mês de maio marca uma das campanhas mais importantes de mobilização social no Brasil, o ‘Maio Laranja’, voltado à conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha tem como símbolo uma flor, representando a infância e a necessidade de cuidado, proteção e desenvolvimento saudável.

De acordo com os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025, com base em 2024), o cenário segue alarmante: o Brasil registrou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável no último ano — o maior número da série histórica. Isso representa, na prática, um caso a cada poucos minutos no país.

A violência atinge, de forma ainda mais grave, crianças e adolescentes. A maioria das vítimas segue sendo menor de idade, com destaque para crianças de até 13 anos, que concentram a maior parte dos registros. Meninas continuam sendo as principais vítimas, representando cerca de 88% dos casos.

“Os números oficiais já são alarmantes, mas representam apenas a ponta do iceberg. O cenário no Brasil é grave e exige ação contínua e articulada entre Estado, sociedade civil e escolas. A prevenção precisa começar cedo, com informação, acolhimento e políticas públicas eficazes. Nenhuma criança pode crescer achando que a violência que sofre é normal”, destaca Lígia Vezzaro Caravieri, gerente técnica institucional da ONG Ficar de Bem, instituição dedicada à proteção integral e à defesa dos direitos de crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.

A pesquisa também revela o perfil das vítimas: cerca de 77% são consideradas vulneráveis, aproximadamente 88% são do sexo feminino e mais da metade são negras. Outro dado alarmante é a idade das vítimas, a maioria tem até 13 anos, evidenciando que a violência atinge principalmente crianças em fase inicial de desenvolvimento.

“A maioria dos casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes ainda permanece silenciada, seja por medo, vergonha ou por envolver pessoas próximas à vítima. É um ciclo de violência que se perpetua justamente no silêncio e na invisibilidade. Por isso, é essencial fortalecer as redes de proteção e incentivar a denúncia como um ato de cuidado e responsabilidade coletiva”, completa Ligia.

Segundo o Anuário, 65% dos agressores são de convívio familiar com a vítima, enquanto aproximadamente um quarto são pessoas conhecidas, reforçando a fala da Lígia de que a maioria dos casos acontece por pessoas próximas às vítimas. Em 2024, a ONG Ficar de Bem atendeu 1.138 crianças e adolescentes que sofreram alguma violência, sendo 103 vítimas de abuso sexual e 75% do sexo feminino.

A profissional da ONG alerta ainda para sinais que devem ser levados a sério e considerados com cautela para garantir a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes. “Mudanças de comportamento são frequentemente os primeiros indícios de que algo está acontecendo. Uma criança muito falante pode ficar mais quieta, enquanto outra, antes mais retraída, pode se tornar excessivamente comunicativa. Outras mudanças podem ser a recusa em ir à escola, agressividade, tristeza, regressões comportamentais, como voltar a fazer xixi na cama, uso de expressões adultas ou quando a criança deixa de aceitar toques rotineiros, como abraços, que antes eram comuns”, pontua a especialista.

A ONG Ficar de Bem atua há mais de três décadas na proteção integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e na defesa de seus direitos, realizando campanhas de conscientização além de oferecer assistência psicossocial gratuita e apoio especializado às vítimas e suas famílias. Para mais informações acesse ficardebem.org.br.

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Via Assessoria de Imprensa

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