O trabalho infantil registra aumento durante o carnaval e mobiliza a rede de proteção social no Grande ABC. Levantamento do Ministério Público do Trabalho indica crescimento estimado de 38% na incidência dessa violação no período, quando crianças e adolescentes passam a exercer atividades informais nas ruas. Para tentar minimizar essa situação, as Prefeituras de Santo André e São Bernardo do Campo intensificaram ações conjuntas com o Instituto Ficar de Bem para identificar situações de risco e promover encaminhamentos à rede de proteção.
Durante o carnaval, enquanto a festa ocupa ruas e avenidas, uma realidade preocupante segue presente e muitas vezes passa despercebida em meio à folia, o trabalho infantil. Nesse período, crianças e adolescentes são encontrados vendendo produtos, carregando mercadorias, auxiliando na coleta de materiais recicláveis ou exercendo outras atividades informais, expostos a longas jornadas, calor intenso e ambientes inadequados, situações que comprometem o desenvolvimento e violam direitos fundamentais.
Levantamento do Ministério Público do Trabalho indica que, nos meses de carnaval, há aumento estimado de cerca de 38% na incidência do trabalho infantil. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reforça a gravidade do cenário ao apontar que, em 2024, mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos viviam nessa condição no Brasil.
O Instituto Ficar de Bem é responsável pela execução do Serviço Especializado em Abordagem Social, o SEAS, que atua diretamente em ruas, praças, estradas, feiras, mercados, lixões, praias e outros espaços públicos com grande circulação de pessoas e indícios de exploração infantil e de outras violações de direitos.
Lígia Vezzaro, gerente técnica institucional do Instituto Ficar de Bem, explica que o SEAS identifica crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social, orienta as famílias e realiza encaminhamentos para a rede de proteção social. “Além da abordagem, o serviço desenvolve ações de conscientização sobre os perigos do trabalho precoce, que muitas vezes é naturalizado em contextos de vulnerabilidade e acaba sendo reproduzido sem que os impactos sejam plenamente percebidos”, afirma.
Somente em 2025, o serviço realizou a abordagem de 2.389 crianças e adolescentes na região do ABC. “Esse trabalho é fundamental para interromper violações que comprometem o presente e o futuro dessas crianças e adolescentes e só é possível porque existe uma rede ativa e o apoio da população por meio das denúncias. Sempre que houver suspeita ou confirmação desse tipo de situação, é essencial acionar os canais oficiais, como o Disque 100 ou os órgãos de segurança”, conclui Lígia.
Para saber como ajudar o projeto, acesse: ficardebem.org.br/seas/.

